CARAVELA QUINHENTISTA



Um barco. Nem grande nem pequeno... nem forte nem fraco. Porém imponente. Dotado por isso de um orgulho quase inabalável...
Não é um iate... nem com veleiro se assemelha.
Uma caravela. Sim, uma caravela, quinhentista talvez, tal o simbolismo que a adorna. Vaidosa... misteriosa e enigmática... mas não sinistra.
Corre mundo a descobrir e a aprender para depois desfilar - deslumbrante - no exíguo número de cais que têm o privilégio de a ver atracar.
De tempos a tempos, do mundo dos espíritos, são oferecidos bilhetes de ida... este tipo de caravela não retorna... não tem bilhete de volta... nunca regressa.
Estas caravelas correm os oceanos, sempre em espiral, raramente permitindo serem vistas pelos cais e pela luz alta, quais caravelas fantasma.
Mas as caravelas são manipuladoras... mais ainda as pertencentes ao mundo dos espíritos. Têm por hábito enviar uma carta doce, sem remetente, convidando a uma breve viagem de reconhecimento...
Nas suas viagens nocturnas, à proa da caravela, pode ver-se o oceano imenso rodeado de silêncio e à luz do luar. Apresentam-nos a Lua a esconder-se atrás do mar, e para impressionar, até mostram aos seus passageiros fenómenos astronómicos a cruzar os céus...
Mas não retornam... estas caravelas não regressam... Não param em cais algum... e transformam os seus passageiros em nobres cata-ventos no alto dos seus mastros principais.

2 comentários:

Anônimo disse...

Um barco fantasma é perigoso.

NS disse...

Nem sempre... por vezes é apenas misterioso.

Mas obrigado e bem vindo.

Cumps,
Nuno