Fábulas - O Caminho das Pedras - A 2ª Pedra

Futuro 1

Da primeira para a segunda pedra já vai um caminho mais longo, não necessariamente sinuoso mas comprido e torto. Aliás a segunda pedra é quase uma não-pedra de escorregadia que é. Nesta não-pedra vêem-se limos, as águas do riacho pisam as bordas, molham os limos, e reluzem a não-pedra.
A menina-senhora segura-se, eventualmente com a ajuda invisível de ninguém, e continua a fazer o seu trabalho. O Ancião-Menino escorrega e cai ao riacho numa aparatosa acrobacia. Valem-lhe algumas mágicas que vai recordando, outras que vai aprendendo, outras que ainda não são, algumas que são outra vez, o anjo que lhe dá a mão porque apareceu repentinamente sem que alguém por isso desse, e ferido volta a subir para a pedra, o Ancião-Menino agora quase menino. O pequeno acidente dá-lhe novas mágicas e não-mágicas que interiorizará nos tempos seguintes. Será pouco ou muito tempo mas a auto-regeneração e a ajuda da menina-senhora ultrapassam a questão. Depressa ou devagar o Ancião-Menino estará de volta ao seu trabalho e desta vez com criaturas pequeninas que se juntam em seu redor clamando por ajuda. O tempo não chega e a menina-senhora auxilia activamente na recuperação daquelas criaturas, aliás com a experiência que traz das anteriores ou posteriores vidas que imprimem conhecimento na sua alma até que uma qualquer travessia seja feita e a ajude a recordar.
O Rei, inquieto com o acidente do Ancião-Menino, visita discretamente a segunda pedra dando a conhecer-se também à menina-senhora, em gesto de agradecimento. É nesse momento que em conjunto, as mais ou menos três pessoas reúnem experiências novas transmitidas pelo Rei e acompanhadas pelo Anjo. E assim descobrem-se ou redescobrem-se ou relembram-se ou aprendem-se novas mágicas, algumas simples, algumas que arrepiam, algumas que chocam até as criaturas à volta. Algumas dessas mágicas até têm efeitos colaterais desconhecidos a quem os usa pela falta de prática do Ancião-Menino já recuperado da escorregadela.
A menina-senhora, agora com mais conhecimento consolidado e outro novo e recente, aplica novas e fascinantes artes curativas neste recente trabalho que a apaixona com as criaturas pequeninas. Essas inesgotáveis criaturas, dependentes e ávidas, umas que curadas foram e outras ajudadas a atingir o pleno, não agradecem. Olham.

2 comentários:

Anônimo disse...

Lilian sentada no degrau, nova Pedra,

escuta, unidas, as vozes do Poeta e da Poetisa

no eco futuro do Passado, a Palavra

do vento que procura a brisa.


M.

NS disse...

Caro(a) M.

Aparentemente Lilian está a fazer semelhante caminhada que a menina-senhora.
Este hiato entre o lado de cá do riacho e o lado de lá do riacho, onde só as pedras têm lugar como seguros degraus, serve para relembrar diversas situações, nomeadamente o que está do outro lado - enquanto vidas anteriores.

Bjs ou Abraços,
Nuno