Fábulas - O Caminho das Pedras - A 4ª Pedra

Futuro pouco mais que 2


O lado de cá do riacho fica turvo, aliás, em bom rigor já quase nem se vê. A ocupação da Senhora-Menina e do Ancião-Menino está centrada agora na quarta pedra - novo desafio interior a superar de inóspitas, porém reconfortantes situações.
Neste estádio da caminhada as criaturas que dependem deste duo são cada vez em maior número, entre pequenas e grandes. Confiam, procuram, habituaram-se a estar.
Enquanto a Senhora-Menina está mais ocupada das criaturas pequenas, não porque tenha sido decidido, mas apenas porque assim calhou, o Ancião-Menino está a dar mais atenção às criaturas grandes. Todos os dias por altura do ocaso, o Ancião-Menino lá volta para o lado de lá do riacho para dar continuidade à quase terminada tarefa que lhe faz a ponte entre caminhos. A corda tipo elástico estará quase rebentada, fraca, sem vigor, não porque a tensão dela foi levada ao extremo, mas porque o extremo chegou à corda tipo elástico. O Ancião-Menino não tenciona no entanto abandonar qualquer tarefa que em tempos lhe fora designada, como aliás caracteriza este paladino, mas de facto a corda tipo elástico acaba por soltar-se num dos enrolados nós que a constituem e outrora davam força e resistência ao laço.
O trabalho do Ancião-Menino terminou no que diz respeito à odisseia que carregava mesmo antes do início do caminho. Naturalmente quando acaba uma começa imediatamente outra relacionada eventualmente com Elfos do caminho, mas agora poderá estar mais atento à pedra do momento sem sentir o puxão que diariamente quase lhe separava o tronco, cometer menos erros, estar mais efectivamente, ser ombro, ser qualquer outra coisa que dele se espere.
A Senhora-Menina absorve criaturas, Elfos e afins, o Ancião-Menino continua a equilibrar a pedra que, esta sim pequena, considera estar a meio do caminho. Se no início da caminhada só vislumbrava cinco, sabendo serem pelo menos sete, neste momento e mais uma vez por magia, o horizonte está na sétima pedra antes que seja atingido o lado de lá do riacho.

2 comentários:

Anônimo disse...

Lilian ergue-se. Escuta os degraus, parecem falar.

Se Lilian chora pode chorar. Se as lágrimas forem asas

- são penas - o caminho que parte as pernas

- são terrenas - empurrará para saltar.

M.

NS disse...

M. :))

Lilian chora porque chora e mais chorara'
Em ombro que é seu, em corpo de paladino
Desejou, pediu e não mais partira'
Para longe dos braços do Ancião-Menino

Nuno