LILIAN - COMENTÁRIOS DE M.

Para o(a) M. que por ter comentado todos os capítulos desta fábula em verso, adoptando essa única singela forma de se comunicar neste registo da palavra, entendo que vale a criação de um post com a precisa transcrição de todos os comentários/respostas.


M.

1. Lilian sentou-se na escada branca de flores
2. Lilian diz que não ouve todos os sons
3. o silêncio está cheio de vozes
do lago, outros tons

NUNO

Ao contrário da escada vermelha, na escada branca ninguém cai, ninguém escorrega. Ainda bem que Lilian está lá sentada provavelmente aguardando que alguém lhe dê a mão, não para a puxar, mas para caminhar ao seu lado na subida que leva ao Templo/Conhecimento.
Já segundo Francisco de Assis, foi esta escada precisamente que o Criador utilizou para descer ao encontro dos homens, esperando que um dia os homens a subissem para encontrarem o conhecimento.

Ainda bem que Lilian não ouve todos sons - filtra o ruído, e no meu entender, vozes do Lago só se percebem em silêncio.

M.
Lilian julga que os adivinha
vêm da casa sem janela
e ali, Lilian diz que está sozinha
perdida de si, à procura dela.

NUNO

Lilian poderá até estar à procura dela, mas à luz do meu anterior comentário, basta aceitar subir uns degraus a mais na Escada Branca...
E, já agora, pode não adivinhá-los, mas reconhece-os certamente.

M.

Lilian senta-se. De si não teria saudades
se não fosse para se procurar
escreve a verdade pela verdades
e o amor pelo gesto de amar.

NUNO

Lilian procura-se, escreve, escreve verdades, escreve amor com o gesto de amar...
Perece-me que Lilian é uma criatura muito interessante.

M.

É cada vez mais difícil esquecer que tem asas
nos círculos do peito, o Sol ainda a contornar
as formas aladas, Lilian vê-lhes as sombras
tem saudades mas não se pode lembrar.

NUNO

À medida que a menina-senhora vai avançando nas pedras - ou Lilian na escada branca - as sombras ganharão forma...

M.

Lilian sentada no degrau, nova Pedra,
escuta, unidas, as vozes do Poeta e da Poetisa
no eco futuro do Passado, a Palavra
do vento que procura a brisa.

NUNO

Aparentemente Lilian está a fazer semelhante caminhada que a menina-senhora.
Este hiato entre o lado de cá do riacho e o lado de lá do riacho, onde só as pedras têm lugar como seguros degraus, serve para relembrar diversas situações, nomeadamente o que está do outro lado - enquanto vidas anteriores.

M.

É cada vez mais difícil não libertar a palma da mão
quando encontra o gesto que se ouve
na memória, os dedos ainda a ensaiar o coração
para o cinco, o sete, talvez o nove.

NUNO

A memória das asas na regressão
Gestos e palavras nítidas no coração
O cinco, o sete ou o nove como meta
Lançar a escada branca para subir
A certeza de termos que ir
Porque assim escreveu o poeta

M.

Lilian ergue-se. Escuta os degraus, parecem falar.
Se Lilian chora pode chorar. Se as lágrimas forem asas
- são penas - o caminho que parte as pernas
- são terrenas - empurrará para saltar.



NUNO
Lilian chora porque chora e mais chorará
Em ombro que é seu, em corpo de paladino
Desejou, pediu e não mais partirá
Para longe dos braços do Ancião-Menino

M.

Lilian olhou a escada branca de flores
Lilian diz que agora ouve porque olhou
quem traz o silêncio de outras dores
tão sereno. Quem abraçou.

NUNO

Lilian abraça as dores mudas
de quem traz o silêncio e o caminho
de trilhos e passadas agudas
e a meta, ao longe... um ninho

2 comentários:

Anônimo disse...

Lilian agradece.

M.

NS disse...

Por nada M./Lilian

Nuno