Pintura

Um pintor, a dada altura, necessita de completar definitivamente o quadro que pintou antes de outro iniciar.
Se não o fizer, colocando-o de lado em exposição e contemplar o trabalho realizado, dificilmente conseguirá fazer nascer outro sem que permanentemente olhe e imagine traços a acrescentar ao anterior.

Pode a nova pintura ser similar, e nesse caso o traçado primário desenhar-se-à quase por si, sem grande diligência necessária à elaboração das bases.

Ou pode o novo trabalho ser imperiosamente distante, um antagonismo opositor ao passado recente, um quadro perfeitamente inovador na história do pintor.
E aí, o desenho inicial já não flui naturalmente, já o esboço não se revela único e os alicerces dessa nova pintura serão incertos, de traço receoso, com resquícios da inspiração do anterior.

E, caso a paleta não se apresente virgem, cumprida que está a função da anterior, deve uma obra ser maculada de cores anciãs que já não enquadram a nova tela...?

4 comentários:

Stargazer disse...

Nuno,

Se for complicado, o Amor também se desenha a preto e branco...o importante é mesmo o traço, rabisco, esquiço e nada mais...

Beijo impressionista,

Malu disse...

Assim como o pintor também deve ser o poeta...
Linda esta descrição comportamental daquele que traça em linhas e cores seus sentimentos.
Abraços

NS disse...

Stargazer... :)

Aquilo que pretendo transmitir não é a amálgama de cores, mas a necessidade de terminar tarefas antes da próxima iniciar; fechar uma porta antes da outra abrir, etc, etc.

O Amor pode ser pintado a Preto e Branco, mas as 256 escalas de cinza existentes na paleta podem confundir-se entre um e o próximo...

Beijo,
Nuno

NS disse...

Malu, :)

E também o poeta deve terminar o seu poema antes de outro iniciar...
(Conforme comentário anterior)

Beijo,
Nuno