A PROBLEMÁTICA DO CIÚME



O ciúme estará eventualmente relacionado com a seguinte afirmação:

“passa-se mais tempo a lamentar o que não se tem, do que a congratular aquilo que já se conseguiu”.

Mais. O ciumento estará permanente à procura de algo que até poderá não existir, mas certamente encontrará mais do que aquilo que imaginou. Não porque exista, mas porque terá uma visão turva daquilo que vê.
Por outro lado, o ciumento tende a absorver qualquer tipo de liberdade alheia, o que inevitavelmente afastará o objecto do seu ciúme.

Podemos considerar o ciúme uma doença? Se assim for, será de todos os males, aquele que inspirará menos piedade e compaixão às pessoas que o rodeiam.
Será portanto legítimo considerar que o ciumento estará sozinho numa espiral de busca e insegurança, aplicando a sua própria tirania à matéria do amor. E ainda assim, considerando que o facto de ter ciúme revela mais amor por si próprio do que pelo seu semelhante, objecto da acção, a realidade é que o próprio ciúme levará à consumição do seu amor próprio.

Bom, um ciumento sofrerá diversas vezes num cenário de ciúme: pela inevitável exclusão, pela agressividade aplicada e colhida, pelo impedimento da razão, pela vulgaridade dos seus actos, pelo desequilíbrio, pela falta de evolução, e provavelmente um sem número mais de motivos. Pelo que o ciumento será um sofredor. Solitário. De baixa auto-estima, preso a incertezas e excluído.

O ciumento estará provavelmente a afirmar um (eventual) direito de propriedade, sem que com isso deixe de atraiçoar. Se na maioria das situações o ciúme está mais próximo da vaidade que do amor, o sentido de posse é unidireccional, e a vaidade existente legitimará traições na primeira pessoa.

No ciúme estará provavelmente a conjugação da inveja de outrem ter espaço na vida de quem se ama, com o ódio provocado pela mesma situação, devastando socialmente os demais em redor, pelas atitudes assumidas e minando a relação de quem o tem.

Está certo que muitos considerarão que existem diversos patamares de ciúme. Ou vários níveis, ou atitudes diferentes, mas na realidade todos esses níveis encerram-se dentro do mesmo nome, e o limiar entre eles está desvanecido, pelo que alguém que sinta ciúme sem as demais caracterizações que aqui se apresentam, estará muito mais próximo delas que um indivíduo mais resolvido.


Contudo, no amor, não ter ciúme não significa não sentir...

2 comentários:

Momentos Anónimos disse...

Problemático mesmo é a forma como gerimos o ciúme, porque seja ele que for, existe.

cp

NS disse...

Gerir o ciúme, gerir as emoções, gerir as atitudes, enfim...

Bjs :)))

Nuno